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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

ACAMPAMENTO NA PRAIA GRANDE - SP

Um dia, num bate papo em casa, na Vila dos Sargentos, eu, meu irmão Milton e nosso amigo Silvio falávamos sobre as praias de Santa Catarina, pois o Sílvio, como catarinense, conhecia todas e falava maravilhas sobre elas.

Na vontade de ir para praia, juntou meu pai e minha mãe neste bate papo e surgiu a ideia de acamparmos na praia, na cidade de Praia Grande, pois o Sílvio tinha uma barraca para quatro pessoas.

Praia Grande - SP

Como estávamos em seis pessoas contando com o Sílvio, ficou decidido que meu pai, minha mãe e a Yára, minha irmã, iriam dormir dentro da DKW Vemaguet, pois baixando os bancos traseiros, virava uma perfeita cama de casal. Eu, o Milton e o Sílvio dormiríamos na barraca.

 A nossa cachorrinha de nome "pretinha" também iria nesta viajem.

Tudo acertado, compramos os refrigerantes e minha mãe preparou deliciosas tortas de palmito, bolos e doces.

No sábado, carregamos a Vemaguet, pegamos nossa cachorrinha "pretinha" e seguimos pela Estrada Velha de Santos, Caminho do Mar, que naquela época era aberta para trânsito de automóveis e não precisava pagar pedágio.

DKW Vemaguet

trecho de descida e vista do mar

A Estrada Velha de Santos é um verdadeiro museu ao ar livre, com vários monumentos da época imperial, com vistas espetaculares, estrada que hoje só é permitido o passeio de bicicleta ou a pé.
            O Cruzeiro marca o encontro dos caminhos do Padre José de Anchieta e do Mar

Mais um monumento da Estrada Velha de Santos e leva esse nome em homenagem ao governador da Capitania de São Paulo José Bernardo Maria de Lorena, que entre 1789 e 1792 construiu a Calçada de Lorena. (trecho antigo desta estrada)

MONUMENTO DO PICO - Erigido em 1922 no local onde 130 anos antes a Câmara de São Paulo mandara construir um monumento ao governador Lorena.
É o ponto mais alto da Calçada do Lorena

Pouso de Paranapiacaba - Construido em 1922

Vista por trás do Pouso de Paranpiacaba

Vista aérea de trecho da Estrada Velha do Mar

Ponte Pênsil - São Vicente/SP

Depois de parar em todos os monumentos, entramos na cidade de Cubatão e seguimos para Santos, São Vicente e atravessamos a Ponte Pênsil com seu assoalho de madeira bastante ruidoso com os carros passando.

Chegando à Praia Grande, buscamos local tranquilo, antes da Cidade Ocian e preparamos a barraca em plena praia. A Vemaguet ficou ao lado da barraca, também dentro da praia onde era possível entrar carros.

Preparamos a parte traseira da Vemaguet para ficar como cama de casal:

Rebatendo os bancos traseiros da Vemaguet

Depois de muita praia, muitas brincadeiras, castelos de areia, sol e pic-nic e banho de água doce fria, à noite, muito cansados, nos preparamos pra dormir. Instalamos uma lanterna amarrada no teto da barraca para iluminar e a "pretinha" ficou junto, dentro da barraca. Meus pais com a Yára, dentro da Vemaguet.

À noite, após muitas piadas e histórias de medo, finalmente dormimos.

Pela manhã ao acordarmos, um susto e gargalhadas...a cabeça do Sílvio estava literalmente coberta com areia jogada durante a noite pela "pretinha" que teimava em fazer buracos. O Sílvio correu para o mar para tirar a areia dos cabelos e a pretinha atrás, latindo, numa cena de pastelão.


 
Mais um dia de praia, sol e pic-nic, banho frio e desmontamos o acampamento e iniciamos o retorno para Cumbica. Mas a festa não acabou por aí, pois meu pai ainda tinha uma surpresa deliciosa !
Ao atravessarmos de volta a Ponte Pênsil, paramos numa doceria espetacular bem ao lado da ponte, a CASA DAS BANANADAS, existente até os dias de hoje.

Casa das Bananadas - Ponte Pênsil ao fundo

Vista interna da doceria Casa das Bananadas

O Retorno foi pela Via Anchieta, com muitas gargalhadas pelas tripulias da pretinha.


terça-feira, 13 de setembro de 2011

1970 TRI-CAMPEONATO MUNDIAL

Da forma que havíamos combinado, dia 21 de Junho de 1970, data da final da Copa do Mundo no México, Brasil x Itália, todos em casa de novo: eu, Milton, Yára, Ricardo, Alexandre, Sílvio, Luís Wade, Giba, Roberto e Beco, meu pai e minha mãe.

O Ricardo exigiu que tudo fosse feito igual ao jogo Brasil x Uruguai quando o Brasil ganhou de 3x1. Mesmo canal de televisão, mesmas bandeiras, rojões de 3 tiros e , principalmente, colocar a imagem de Nsa Senhora de Aparecida em cima da televisão.

Nsa. Senhora Aparecida

TV Strauss

 O nervosismo era total, porém confiávamos na melhor seleção brasileira de futebol de todos os tempos:


Tudo pronto, seleções perfiladas para os Hinos Nacionais, começa a partida.


                                      

A cada gol do Brasil, pulávamos pela janela, numa gritaria incrível, soltando os rojões e desfraldando as bandeiras. Uma verdadeira loucura.

O que se pode falar de uma seleção, que numa final de copa dá uma verdadeira aula de futebol e se consagra tri-campeã invicta, ficando de forma definitiva com a  posse da taça Jules Rimet ?!

Portanto, é gritar, explodir os rojões, se abraçar, chorar de emoção e sair pra comemorar nas ruas.

Explosão de alegria - Av-2 Cumbica



Meu pai e minha mãe festejando o tri mumdial

O Ricardo correu até sua casa, pegou a Kombi de seu pai, veio até em casa, subi no teto da Kombi com minha bandeira desfraldada e, com cuidado pois não havia onde me segurar, saímos pelas vilas festejando e todos nas ruas pulavam de alegria.


Kombi 1958 - mesma cor

Na volta, o Milton deu a ideia de irmos até a Av Paulista para comemorar e meu pai pegou sua DKW Vemaguet e fomos, eu, Milton, Ricardo atrás e meu pai, minha mãe e Yára na frente.

DKW Vemaguet 


 Não conseguimos passar da Av Guarulhos devido a tanta gente nas ruas festejando. Desistimos porque as pessoas tamborilando na capota da DKW, causava muita poeira dentro do carro por causa do forro que era de tecido e não plástico como hoje em dia. Com os vidros abertos para eliminar a poeira, retornamos a Cumbica roucos de tanto gritar.. é tri-campeão...é tri-campeão...








segunda-feira, 12 de setembro de 2011

SARGENTO GARCIA (PANCHO GARCIA) E O MENINO DE CUMBICA LUCÉLIO

Nos anos 60, em Cumbica, o Lucélio Garcia, sem dúvida era o meu maior amigo de algazarras, de futebol, de jogo de sinuca, estudos e muitos papos. Como nós dois nascemos no mês de Setembro do mesmo ano, eu no dia 11 e ele no dia 16, isto era como um marco em nossa amizade.

A família do Lucélio, todos eram muitos alegres e amigos, o Seu Garcia, o pai, Dona Letícia, a mãe e os irmãos Cláudio e a Clarice.

Casa do Sgto Garcia - 1ª da esquina

Cláudio Garcia

Quase todos os dias eu ia à casa do Lucélio para tomar as famosas limonadas feita por Dona Letícia e ouvir muitas histórias sobre as cantorias do Sargento Garcia e as músicas de Altemar Dutra.

Música com Altemar Dutra


Nosso time de coração naquela época era o Palmeiras, sim naquela época, pois depois com a mudança da família Garcia para o Rio de Janeiro, o Lucélio passou a torcer pelo Fluminense, como seu primeiro time de coração.


Mas, como ninguém é perfeito (rssss) perdoei meu amigo Lucélio.


O pai do Lucélio, o Sargento Garcia, era uma pessoa ímpar, muito alegre, excelente violonista e seu forte era o bolero e músicas do Altemar Dutra e ele adorava se vestir como mexicano, exibindo um belo chapéu, por isto seu apelido, pancho.
Acima, Pancho Garcia no violão, aplaudido por Clarice. Em baixo o Lucélio com o violão.

Aos fins de semana, na Vila dos Sargentos, quando brincávamos de bang-bang, o pai do Lucélio se vestia de pancho e o Lucélio com cartucheira e revólver de brinquedo, para também brincar de bang bang, o que era muito divertido.
Pancho Garcia e o filho Lucélio

Um dia triste para nós foi quando soubemos que o Sargento Garcia havia sido transferido para o Rio de Janeiro e isto representava um fim de nossa amizade, pelo menos nas brincadeiras diária. A mudança da família Garcia ocorreu da melhor forma, sem despedidas, pois não existe despedida entre amigos.

Mas para nossa alegria, um dia, em 2009, procurando pela Internet pelo nome do Lucélio, a grande surpresa, uma festa de apresentação de seu livro de poesias, "INTERIOR" e isto nos facilitou a reativação de nossa amizade.

Lucélio Garcia e seu belíssimo livro de poesias "INTERIOR"

E qual não foi a maior surpresa ainda quando de sua festa de nomeação de "Membro Acadêmico da ARTPOP -Academia de Artes Populares de Cabo Frio/RJ
Lucélio Acadêmico


                                       
Poema de Lucélio Garcia-clique para escutar


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

ANOS DE OURO ! A BANDA THE HARDS E O TIME ÍCARO

BASP - 1968 / 1969

Cel Frazão era o Comandante da BASP neste período, mesmo que curto, foi um dos mais simpático aos meninos de Cumbica, sendo que em sua saída deste comando por motivo de promoção a Brigadeiro, mesmo sendo um motivo de merecimento e alegria, para nós foi triste, pois não queríamos a sua saída.

Estava a todo vapor a fama dos Beatles no mundo e era comum a formação de conjuntos de rock (bandas),  a moda da época.



Da mesma forma, formamos na vila dos sargentos um conjunto (banda), que demos o nome de THE HARDS. Os componentes deste conjunto (banda) era: Sílvio (solo e vocalista), Cláudio (acompanhamento), Sgto Dionizio (contra-baixo), Reinaldo(bateria).  Os "solos" do Sílvio com as músicas dos Beatles eram espetaculares em sua guitarra elétrica vermelha.


IMAGINE - JOHN LENNON


O Cel Frazão conhecedor deste fato nos convidou a uma visita a sua residência e numa alegre reunião, autorizou que nos fosse colocado a disposição uma sala no Cassino dos Sargentos para guardarmos os instrumentos musicais e o salão do cassino para organizarmos apresentação do conjunto(banda). A bateria foi nos colocada a disposição uma sobressalente pertencente a Banda da Base.

Com a ajuda de meu pai que era o Presidente do Cassino dos Suboficiais e Sargentos, organizamos um bingo dançante no salão de festas do cassino, que foi maravilhosamente ornamentado pelo SO Deolino, que era também artista plástico. Confeccionamos convites e os distribuímos pelas vilas.

O objetivo deste bingo foi arrecadarmos com a venda de cartelas, dinheiro para a compra de um jogo de camisas para nosso time de futebol de salão e algumas bolas. Com doações, conseguimos diversos prêmios, tais como, jogo de pratos, rádio, relógio, baixelas de inox, jogo de facas pra churrasco, etc.
Com o salão lotado, a festa se realizou da melhor forma possível, com as melhores músicas dos Beatles e alguns sambas da época, indo madrugada a dentro.



O sucesso da festa foi total e arrecadamos o necessário para compra de nosso jogo de camisas e para as meninas, bolas de volei e rede para a quadra de volei que havia na Av 1 na Vila dos Sargentos.

O nome escolhido para nosso time foi ÍCARO. 



ÍCARO


Desenhamos o escudo a ser bordado na camisa, fomos ao centro de São Paulo numa loja de esportes e encomendamos o jogo de camisas. As cores definidas no uniforme foram: a camisa azul, calção vermelho e meião azul.

A estreia desta camisa foi exatamente nas festividades da Semana da Asa, quando disputamos a taça deste evento contra um time de Guarulhos.

O jogo foi realizado numa quadra preparada dentro do hangar do Esquadrão de Suprimentos e Manutenção (ESM), com a torcida total dos militares para nós e conquistamos a taça com uma vitória por 2x1.


ESM - hangar à esquerda

Não poderia ser melhor a estreia de nosso jogo de camisas, e do ÍCARO.
Time do ÍCARO:

Reinaldo, Edson e Ricardo, Milton e Cláudio
Lucélio, Roberto, João, Gilberto (giba), Vanderlei , Sílvio e Alexandre Othechar.

Após o jogo, um banho no Cassino dos Sargentos e almoço festivo da Semana da Asa no Rancho


Rancho

À noite, um filme especial no cinema da Base, Cine Zé Carioca, quando antes do filme, apresenta-se a banda da Base no palco do cinema e uma bela surpresa...

Cine Zé Carioca - BASP

A apresentação de nosso amigo, o Sargento Bustamante.

Sua vóz era pra dar inveja ao saudoso PAVAROTTI e seu porte físico lembrava o lutador de boxe, GEORGE FOREMAN.
Iniciados os acordes da ópera O BARBEIRO DE SEVILHA, entra no palco com sua farda impecável o Sargento Bustamante e  deixou a plateia extasiada com sua interpretação.


 
Fígaro !


Ao término, todos em pé o aplaudia... BRAVO !! BRAVO!!

Realmente foi espetacular...
... o bingo, o nosso conjunto THE HARDS, nosso time ÍCARO  e nosso "Pavarotti", o Sargento BUSTAMANTE.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

MEU PRIMEIRO ENCONTRO COM DEUS

Um dia, em 1958, eu com quase 6 anos de idade, amanheci com dor de garganta e muita febre, que não cedia. Com a febre na casa dos 40 graus, logo cedo meus pais me levaram ao Hospital da BASP.

O diagnóstico do médico da BASP foi de suspeita de Crupe (difteria).
O crupe é uma infecção viral contagiosa dos canais respiratórios superiores que provoca dificuldade em respirar, sobretudo ao inspirar.
O crupe provocado pelo vírus da gripe pode ser particularmente grave e ocorre com maior frequência nas crianças entre os 3 e os 7 anos de idade. A doença costuma transmitir-se ao respirar microgotas transportadas pelo ar que contêm o vírus ou então através do contacto com objetos infectados.

O médico da BASP recomendou enviar-me imediatamente para o Hospital Emílio Ribas, em São Paulo, especializado em doenças graves transmissíveis, para a confirmação do diagnóstico e tratamento.

Fachada antiga (1958) do Hospital Emílio Ribas em SP

A caminho do Hospital, já nas proximidades, na Av 9 de Julho, a febre aumentou mais ainda e entrei em convulsão.

Naquela época, meu pai tinha um automóvel Opel kapitan e disparou em direção ao Hospital, entrando direto na área de Pronto Socorro, e, naquele desespero de minha mãe, os médicos retiraram-me do colo dela e entraram direto na UTI da ala restrita a estes casos.



Meus pais ficaram aguardando por horas o retorno dos médicos com a informação: "seu filho está realmente com crupe, o estado é muito grave, ele está em coma e precisamos de autorização de vocês para iniciarmos o tratamento com anti-biótico que pode salvar, porém normalmente causa sequelas em algum orgão da criança e provavelmente será necessária uma traqueostomia (abertura na garganta para permitir a respiração)".

Autorização dada, os médicos informaram que eu ficaria internado por tempo indeterminado e, no estagio avançado da doença, a situação era de muita gravidade. Recomendando a eles retornarem pra casa, forneceu o telefone do Hospital para contato e solicitou o telefone do Hospital da BASP para algumas providências.

As providências foram isolar por dois dias a minha escola dentro da Base para desinfecção e ao retornar às aulas todos os pais de alunos da escola deveriam informar ao Hospital da Base qualquer gripe forte com febre por um período de quarenta dias, inclusive as crianças da Vila dos Sargentos. A desinfecção, inclusive de minha casa, foi efetuada por equipe em conjunto com Hospital Emílio Ribas.

Em desespero, minha mãe não parava de rezar, principalmente à Nsa Senhora das  Graças e a Jesus, chegando a desfalecer.

O meu pai foi dispensado dos serviços naquele período e no primeiro dia após a internação já ligou ao Hospital e a informação era: "situação inalterada, favor ligar amanhã".

No segundo dia, outro telefonema e a informação " situação inalterada, favor ligar amanhã".

No terceiro dia, de madrugada, minha mãe conseguindo dormir, sonhou com a Nsa Senhora que disse: "Guiomar, acalme-se".
Minha mãe acordou em desespero, gritando que eu havia morrido devido àquela mensagem do sonho.

Nsa. Senhora das Graças

Logo pela manhã, meu pai ligou ao hospital e a enfermaria mandou-o aguardar porque o médico queria falar com ele. As palavras do médico:  "seu Adalberto, o Edson reagiu muito bem, acordou, passou a noite sem febre, os sinais da crupe desapareceram e, se continuar assim, dentro de quatro dias ele poderá receber alta".

Numa explosão de alegria, os dois choraram muito e rezaram agradecendo Jesus e Nsa Senhora das Graças.

 À tarde, o Hospital ligou informando que eu poderia receber visita, mas sem eu saber, olhando por uma janelinha da porta.

No quarto dia, eles foram ao Hospital me visitar e me viram pela janelinha brincando no chão da enfermaria com brinquedos e várias crianças. Eu vi que muitas pessoas olhavam pela janelinha, mas não conseguia identificar quem eram.

A sala da enfermaria era muito grande, com várias camas, uma ao lado da outra, sendo ao fundo os banheiros e lavatórios.

Numa das visitas do médico para verificar minha garganta e temperatura, ele disse "Edson, vejo que você está muito bem e logo poderá voltar pra casa. Você sente alguma dor, alguma coisa?"
Eu respondi: " olha...você está vendo esta tomada ao lado de minha cama? ela está me deixando enjoado porque parece "bucho". dá pra me tirar daqui? (a tomada tinha um desenho em relevo em formato de favos de mel, que parecia um pedaço de bucho e eu sempre detestei bucho).
O médico dando risada pediu que a enfermeira me mudasse de cama, fato este que assustou a minha mãe na visita deste dia, pois minha cama estava sem as colchas, mas logo foi informada do fato.

No quinto dia, fui levado para o primeiro banho e eu já chorava de saudades de casa.

No sexto dia o Hospital ligou para meu pai avisando da alta no dia seguinte.

No sétimo dia, com a alta, meu pai e minha mãe no caminho do Hospital pararam numa loja de brinquedos e compraram um enorme caminhão de madeira.

Eu estava na enfermaria, já de banho tomado, quando veio a enfermeira com o caminhão na mão com minhas roupas e ela disse: "Edson, o papai e a mamãe estão aí pra te levar pra casa. Coloque estas roupas".
Num salto de alegria, coloquei minhas roupas, e uma blusa de lã branca com listas cinzas que jamais esqueço. Agarrei meu caminhão e fui em direção àquela porta da janelinha.



A porta se abriu e corri para os braços de meus pais, nós três chorando de felicidades.

Antes de sair, a enfermeira me chamou e à minha mãe e ensinou como pincelar a minha garganta com Colubiasol durante os próximos 15 dias e recomendou nestes dias nada de sair de casa e de tomar friagem.

Alegres no carro de volta pra casa, eu disse ao meu pai: " pai...passa em Guarulhos, naquela igrejinha do Macedo...Jesus pediu que eu fosse ao sair do hospital pra lá...pra agradecer a Ele"

Espantado, meu pai foi direto pra Guarulhos e chegando em frente a Igreja, desci do carro com minha mãe.

Subimos alguns degraus de escada até a porta que se encontrava fechada. Eu disse: "mãe, não tem problema, eu agradeço daqui mesmo"...ajoelhei nos degraus e disse " obrigado Jesus".

O templo é a "Capela do Bom Jesus", no bairro do Macedo em Guarulhos e fomos pra casa.

A Capela do Bom Jesus ao fundo, em azul


Muitos abraços e beijos de meus irmãos, jantamos felizes e dormimos...

No dia seguinte, de manhã, bem cedo, com a normal neblina de Cumbica, levantei, coloquei minha roupa, minha blusa e fui brincar com meu caminhão....para o susto de todos.....mas, eu estava curado, Graças a  Nossa Senhora e a Jesus.

Nenhum outro caso houve em Cumbica naquela época, não houve necessidade da traqueostomia e como sequela da doença, devido ao antibiótico, tive perda de 40% da audição.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

GRANDES AVENTURAS - O HOMEM NA LUA E NÓS NA SERRA DA MANTIQUEIRA

                                                               20 de Julho de 1969


Uma data histórica com a chegada do homem à Lua.

Muito se falava deste momento, o que iria acontecer aos astronautas americanos quando tocassem o solo lunar. Todos os dias, as TVs noticiavam o percurso da nave Apolo 11 e comunicavam o televisionamento direto da NASA, nos EUA, para o Brasil via Embratel.

Na noite de 20 de Julho de 1969, nos preparamos em casa, na Vila dos Sargentos, com muitos cobertores, pois o frio daquele inverno era intenso.

Quando de exatamente 23:56 horas, a transmissão começou, mostrando os astronautas em solo lunar, sendo que Neil Armstrong foi o primeiro a pisar na Lua.

                                                       televisionamento em preto e branco            

A verdade é que o resultado foi, de certa forma, decepcionante, pois a Lua realmente não era feita de queijo suíço e sempre é mais bonita vista de longe, da Terra.

No dia seguinte, o interessante é que este assunto se encerrou e como já estava chegando perto do final das férias de Julho, resolvemos acampar.

Local?? nada melhor do que a Serra da Mantiqueira, que estava bem à nossa frente, bem atrás dos hangares 1º/10º e 2º/10º GAv  e da fazendinha da Base.
Ideia lançada....ideia aprovada!
Nos preparamos com lanches, refrigerantes, frutas, facão pra abrir trilha, cordas, bola de futebol e os coturnos (botas militares) emprestados de nossos pais.

No dia seguinte, bem cedo, saímos: eu, Milton, Ricardo, Alexandre, Lucélio, Cláudio, João, Flávio,  Marcos, Silvio, Wade, Adelmo,Yára, Cristina, Mercedes, Graça, Sonia, Marilza e Sudelma.
O tempo estava carrancudo, com nuvens pesadas, mas mesmo assim seguimos em frente, a pé.

Saímos da Vila dos Sargentos, seguimos pela Vila dos Oficiais, descemos a ladeira da lagoa, passamos em frente ao prédio do Comando, seguimos em direção a pista principal da Base. Paramos em frente a pista e aguardamos o controlador de voo da torre de controle abrir o sinal para a travessia. Sinal verde, atravessamos a pista, passamos pelos hangares, fazendinha e chegamos ao pé da Serra.


Vila dos sargentos

Vila dos Oficiais

Prédio do Comando da BASP

                                    
                      Pista da BASP em Cumbica, mostrando a Serra da Mantiqueira ao fundo

Logo achamos uma trilha e seguimos em frente. Com os facões, abrimos a trilha onde o mato havia fechado e começamos a subida. Muitos papos, histórias, gargalhadas, insetos!!!, gritos e sempre em frente. Fizemos marcas em árvores para nos indicar o retorno.

Num local plano resolvemos acampar. Limpamos a área, as meninas estenderam as toalhas, colocaram os lanches e refrigerantes em cima e logo começamos a brincar com a bola. A mata em volta é muito fechada, com árvores enormes, chão muito húmido, muitos pássaros e insetos em abundância para o terror das meninas.



De repente, a bola sumiu na mata. Todos começaram a procurar a bola que misteriosamente desapareceu, mistério que logo se esclareceu. Numa moita próxima, abrindo-a com o facão, bem no meio, pasmem... um poço. O poço não era muito profundo, porém com água.
Amarramos a corda numa árvore e o Cláudio, por ser o mais "fininho", por isto seu apelido "fino", começou a descer no poço para pegar a bola, missão feita com sucesso. Pegamos alguns galhos em volta e troncos e tapamos o poço.

Depois de muitas brincadeiras, "detonamos" o lanche e os refrigerantes, acompanhados de muitos "arrotos", aliás, torneio vencido com louvor pelo João, isto com os gritos de nojo das meninas.

Mais à tarde, não deu outra, uma fina chuva começou a cair e resolvemos desfazer o acampamento. Durante o retorno, a chuva aumentou, deixando-nos totalmente ensopados, porém com muita gargalhadas devido ao estado dos cabelos das meninas e  nós todos enlameados.

Chuva na Mantiqueira

 
Ao chegar na Vila, nosso visual era lamentável, porém com sucesso total, pois nossa aventura foi infinitamente melhor do que a dos americanos na Lua, mesmo com os resfriados adquiridos.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

COPA DE 1970 - BRASIL X URUGUAI - TODOS EM CASA !

E a seleção brasileira seguia bem na competição da Copa do Mundo de 1970. Não era para menos, com aquela seleção que seria a melhor de todos os tempos.

A empolgação era tanta que meu pai comprou um aparelho de televisão novo, marca Straus, claro que em preto e branco, pois em 1970 ainda não existia a TV a cores no Brasil. Minha mãe comprou panos de cetim nas cores verde, amarelo e azul, costurou as faixas e fizemos bandeiras. Compramos muito rojão de três tiros.
TV Straus 20" - imagem em preto e branco

17de junho de 1970

Combinamos todos assistirmos ao jogo Brasil x Uruguai, jogo das semi-finais, em casa, estreando a nova televisão.
Compareceram todos nossos amigos que espremidos assistimos ao jogo: eu, Milton, Ricardo, Alexandre, Roberto, Beco, Marcos, Giba, Silvio, Wade, meu pai, minha mãe, Yára e Mercedes. Na janela da casa assistindo também o Edilson e mais alguns meninos.

                                   
Jogo Brasil x Uruguai
"televisionado em preto e branco"

Quase no horário do jogo, fechamos uma das janelas da sala para visualizar melhor a TV, minha mãe colocou uma imagem de Nsa. Senhora de Aparecida em cima da TV e meu pai, ainda desconfiado da seleção, disse "só falta dar Uruguai", pra vaia geral .

Nsa.Sra. Aparecida em cima da televisão


Começou o jogo !!! silêncio total e muito nervosismo.

O tempo vai passando, quando, "gol do Uruguai"...cara de desespero de todos.

Mais algum tempo, de repente com os gritos agudos de minha mãe, o Clodoaldo segue pela esquerda, entra na área e empata o jogo!! ""GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL    DO BRASIiIIIIIL !!
Numa gritaria geral, acendi o rojão dentro de casa. Correria geral, abriram a janela e consegui disparar pra fora. Uma verdadeira loucura.

No segundo tempo, o nervosismo era ainda maior, minha mãe rezando pra Nsa. Senhora, quando o Jairzinho dispara pela direita e desempata o jogo. ""GOOOOOOOOOOOOOOOL DO BRASIIIIIIIIIII""". Saímos todos ao mesmo tempo pra fora da sala, numa gritaria de gol e soltamos vários rojões.

E o tempo vai passando, quando o Pelé, dispara pelo meio, entra na área do Uruguai, para a bola e, de forma espetacular da um passe ao Rivelino que dispara uma "patada atômica" e faz o terceiro gol. """GOOOOOOOOOOOOOOOOOL DO BRASIIIIIIIIIIIIIIIIL""". Outra grande confusão na sala, uma gritaria geral, choros de alegria e saímos todos outra vez para fora da sala e disparamos vários rojões.

Com as demais vitórias da seleção, classificando-se para a final contra a Itália, ficou marcada outra reunião em casa para este jogo. A TV Straus mostrou-se " pé quente " e não poderíamos mudar nada pra não dar "zica", mas aí, já é uma outra história.