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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Águias de Fogo

1967 - 1968

A série de aventura recebeu o apoio da Aeronáutica, apresentando histórias  ficcionais com base em fatos verídicos. Entre os temas apresentados estão a tentativa de sequestro de um diplomata estrangeiro, contrabando na fronteira e missões de resgate. Foram produzidos 26 episódios, que foram conservados pela Cinemateca Nacional.


As filmagens eram feitas na Base Aérea de Cumbica, onde os atores eram filmados nas cabines dos aviões que nunca levantaram vôo. Com uma tela no fundo e um extintor de CO2 cumprindo a função de ‘fabricar’ as nuvens, as cenas eram filmadas dando a impressão de que o avião estava realmente no ar. Algumas cenas foram feitas dentro de aviões em vôo para depois serem inseridas na sequência das cenas da série.

Clique para ver um seriado


Nestas filmagens feitas onde hoje é o Aerporto Internacinal de Cumbica, como num tunel do tempo adentramos no hangar do 2º/10º GAv, Esquadrão Pelicano, com participações do SA-16 Albatroz, helicóptero SH-1D, B-25, NA-T6, o Beech C-45.

Numa das cenas desta filmagens, numa reunião, verifica-se a participação de alguns militares da BASP.

E nós, os meninos de Cumbica, como não poderia deixar de ser, acompanhamos as filmagens.


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A MENINA, PAI....A MENINA...

E um dia, meu pai chega em casa e me chama "Edson, amanhã vamos tirar o motor da Vemaguete para descarbonizar"!


-- O que? só nós dois pra tirar um motor? perguntei meio assustado.
Meu pai rindo, disse " Amanhã você vai ver ".

Amanheceu aquele sábado ensolarado e eu e meu pai fomos para a Vemaguet.

Ficou combinado que enquanto ele vai em baixo do carro, eu iria soltando as mangueiras, correias parte elétrica e soltando os parafusos do cabeçote do motor.

Feito isto, meu pai saiu de baixo do carro, havia soltado os parafusos que prendiam o motor ao chassi, com os coxins, pegou uma tora de madeira de uns 3 metros, encaixou entre duas correntes de aço previamente fixadas ao motor e eu de um lado, ele de outro, levantamos o motor até ele sair do habitáculo e o colocamos ao chão.

Retirado o cabeçote do motor, eu iniciei a retirar o carvão que estava incrustado nas cabeças dos pistões deixando os totalmente limpos, com o alumínio quase brilhando.

Remontamos o motor e o recolocamos no habitáculo, fixando todos os componentes mecânicos e elétricos.

Tudo pronto...dada a partida e o motor para nossa satisfação funciona perfeitamente, como um relógio bem regulado.

Habitáculo do motor DKW

Este fato, com os ensinamentos de meu pai, estava sendo definido o meu futuro, pois quando me formei em Engenharia,  direcionei toda minha vida profissional para a Indústria Automotiva.

Como eu estava com 14 anos, depois deste trabalho, ele me ensinou a dirigir, coisa que em pouco tempo eu já dominava perfeitamente a Vemaguete e levava minha mãe ao Reembolsável (mercado da BASP) quando meu pai viajava.

Certa  vez, eu lavando a Vemaguet ao lado de casa, de repente, numa para de descanso, fui até o meio da rua e olhei lá embaixo na AV-3 ...
As casas lá embaixo na Av-3...eu à direita

... e ,  por algum motivo que ainda não sei, a Vemaguete começou a andar sozinha, pois havia um desnível entre a lateral da casa e a rua. Corri para frente da Vemaguete para segurá-la, porém como eu estava molhado, fui escorregando junto com ela para o barranco em frente a rua. Chegando perto do barranco, cai numa saliência do barranco e a Vemaguete, passando por cima de mim sem me tocar, desceu sozinha o barranco em direção às casas da Av-3.

Levantei correndo e me agarrei no parachoque traseiro dela e fui sendo arrastado e gritava..

Como, por sorte, o capim gordura estava muito alto e no caminho havia um tambor de 200 litros deitado, o carro passou por cima dele e o prendeu por baixo, parando o carro.


Desnível da lateral da casa em relação a rua
(não havia o portão e a construção ao lado esquerdo da casa)

Lá no alto, na Av 2, vi o João Casal  que passava por ali, estarrecido com o que acontecia.

Com o susto, eu tremia igual vara verde e meu pai desceu correndo, e eu segurando no parachoque ainda, gritava...
--- A menina, pai....a menina!!

Ele desesperadamente foi em baixo do carro e não encontrou nada.

Os colegas de meu pai, vendo o acontecido, correram pra ajudar...levantaram o carro e retiraram o tambor de baixo.. meu pai deu partida na Vemaguete e subiu de volta para casa sem qualquer arranhão ou danos na Vemaguete.

Após, todo arranhado e assustado...fui levado ao banheiro para um banho e lá, tremia muito e chorando, soluçando eu falava ao meu pai...
--- A menina, pai...a menina, pai...
Meu pai entrou de roupa e tudo e me abraçando disse que estava tudo bem, que era apenas um tambor de óleo.

Serviu-me a lição de que jamais devemos confiar num carro, pois em desatenção ou descuido um acidente grave pode ocorrer, pois eu deveria ter também calçado as rodas da Vemaguete e não só puxar o freio de mão.


Minha  DKW Vemaguete



quarta-feira, 2 de novembro de 2011

REMINISCÊNCIAS

Cada casa todas do mesmo formato tinha uma cor, uma vermelha, outra verde, outra azul e depois, uma amarela.  O telhado das casas eram com telhas francesas que resistiam ao peso de uma pessoa, porém não resistiam ao vendaval das tempestades de verão e posteriormente foram substituídas por telhas onduladas parafusadas.


As cores das casas, intercaladas, formavam um colorido que transmitia alegria.

Eu, à direita, com 12 anos(1964), a Yára e meus primos Sérgio e João

Na varanda da entrada social, na parede frontal, haviam furos circulares que eu usava para subir ao telhado da casa

Em frente das casas, uma placa fincada no jardim da frente, mostrava o nome do morador...


... e com isto, praticamente conhecíamos todos os residentes pelos nomes dos militares:
Sgto Adalberto, Sgto Serra, Sgto Jardim, Sgto Drummond, Sgto Sávio, Sgto João Alves, Sgto Arno,
Sgto Garcia, Sgto Cassulino, Sgto Travassos, Sgto Arnaldo, Sgto Assis, Sgto Barbosa, SO Alberto,
SO Piccinini, SO Correa, Sgto Batalha, Sgto Ávila, Sgto Machado, Sgto Moura, Sgto Moreira,
Sgto Nunes, SO Casal, Sgto Pozzoli, Sgto Jaques, Sgto Jácome, Sgto Orlando, SO Palulian, SO Viviane
Sgto Maiolino, Sgto Cícero, Sgto Mendes, Sgto Moacir, Sgto Xavier, Sgto Bruno, Sgto Afonso,
SO Thomaz... e tantos outros...cada nome, uma casa, uma cor, uma família, um amigo.

Minha primeira casa foi azul e a segunda branca , pois em 1963, posteriormente todas as casas foram pintadas de branco.

Minha segunda casa (1964 a 1970)

As Avenidas 1, 2 e 3 eram de terra batida, sendo que foram asfaltadas em meados de 1967 juntamente com a construção de novas casas na Av 3 e 4, com modelos diferente das anteriores.

No calçamento da ladeira entre as Avenidas 1, 2, 3 e 4, com paralelepípedos, o Sílvio (solista do The Hards), filho do SO Correa foi contratado pela construtora para ser o fiscal de recebimento de material, anotando as viagens dos caminhões de areia e paralelepípedos e nós passávamos o dia com ele controlando as chegadas dos caminhões com o material.

Acompanhamos a colocação de cada paralelepípedo na ladeira, uma vez que estávamos de férias escolares e acusávamos qualquer irregularidade nas colocações das peças, que com isto, a obra ficou perfeita.

Ladeira de paralelepípedos na Vila dos Sargentos

Neste mesmo período o Cinema da BASP, Cine Zé Carioca, foi totalmente reformado e modernizado e na inauguração, na bomboniere do cinema, foi contratado o Alexandre Othechar...

Alexandre

... que devido a isto assistia a todos os filmes, inclusive os "proibidos" para menores, pois na entrada do cinema um soldado conferia a carteirinha de entrada do cinema que constava nossa data de nascimento e barrava os que não tinham idade para assistir ao filme.

Cinema da BASP

Neste mesmo cinema nos finais de ano aconteciam as festas de formatura (naquela época existia) da turma do 4º ano primário e entrega de medalhas aos primeiros colocados das turmas de todas as séries do Grupo Escolar Ribeiro de Barros que ficava dentro da BASP.
Lucélio Garcia recebendo o diploma

Na antiga Capela da BASP...

Antiga Capela da BASP

... eram celebrados os Sacramentos da Primeira Comunhão, após término das aulas de Catecismo dadas pelo Capelão Padre Idelfonso, da BASP.

Capelão Padre Idelfonso

Os carnavais, inicialmente eram festejados nos salões do Cassino dos Suboficiais e Sargentos

Cassino dos SO e Sgtos

e posteriormente, após inauguração, no salão do Clube dos SO e Sgtos na Vila dos Sargentos.

Alguns dos meninos de Cumbica fantasiados pro Carnaval
(em pé) Vanderley, Reinaldo(sheik), Moritz , Wade Piccinini, ? , ?, Beco e ?
(em baixo) Roberto, ? ,?, Raul, ? e Alexandre
(?) nomes a serem lembrados


Alguns militares daquela época, 1957 a 1970, da BASP, residentes na Vila dos Sargentos

SO Alberto, SO Orlando, SO Alexandre e o último à direita SO Adail

Sargento Batalha

José Dantas Drummond 

José Dantas Drummond


Sargento Garcia (esquerda)

De vestido florido, Dna Antea, esposa do SO Líppolis - à direita, SO Salles

SO Drummond

Meu pai, SO Adalberto e minha mãe Guiomar

O primeiro da esquerda, Luiz Cremonezi, a seguir:
     Arnaldo(MAv do 1º/10º), Assis(Enfermeiro), Amílcar(QAv do 1º/10º)  e o Laercio(VO do 2º/10º)

Em baixo: SO Arruda e SO Travassos 

Locateli, Siqueli, Orestes e Cremonezi

Baile no Cassino dos SO e Sgtos - 22/05/1967
Esq p/dir: com a mão no queixo, SO Alexandre, após, Sgto Orlando, Sgto Mertens e Sgto Adalberto
Filhos: Deise (Sgto Orlando), em baixo o Milton (meu irmão), Yára ao lado (minha irmã) e eu (Edson) atrás no alto.  

Festa de fim de ano de toda equipe do ESM - 1959
Identificados: Sgto Machado (cigarro na boca), Sgto Jardim (terceiro no alto), Sgto Adalberto (atrás do braço do violão), Sgto Batista (lado direito do violão) - observem que ainda é o uniforme cáqui.

No páteo do ESM
em baixo, segundo da dir p/ esq: Sgto Jardim, SO Palulian, Sgto Adalberto(meu pai)

Festa de aniversário da BASP - 22/08/1964
Sgto Adalberto e Guiomar, Dna Hula e Sgto Ciro (meteorologista)

SO Bustamante à direita






 Aguardando mais fotos de residentes da BASP - Cumbica

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A REPRESINHA, A MALDADE E O PREMIO

E numa tarde de verão, com muito calor, após uma partida de futsal, resolvemos nadar na represinha, eu, o Milton, o Ricardo, Alexandre, Roberto, Beco, João Alves, Cláudio, Lucélio, Reinaldo, Vanderlei e Sílvio, lógico, acompanhados de nossos  mascotes Lina e Pitoco. Sem dúvida uma turma muito falante, alegre e criativa.

Represinha (foto real do local) - BASP

Como de praxe, todos mergulhamos de cuecas e o João pelado, como um verdadeiro naturalista.


Outra vista da represinha (foto real do local) - BASP


O corre que lá do alto, pois a represinha fica num pequeno vale e sem vista direta da represa, ficam algumas casas de oficiais (Tenente) e muitas vezes vimos que uma senhora sempre nos espreitava vendo nossas brincadeiras, mergulhos, saltos "mortais"e bombas nas águas, porém nunca demos importância a este fato.


Casa de Tenente semelhante, próxima da represinha

O problema é que a maldade realmente está muitas vezes incrustada na mente das pessoas, pessoas que não suportam alegria, que cultuam a tristeza disfarçada num manto de pseudo-moral e esta pessoa deu parte (reclamação) ao oficial de dia da BASP e alguns dias depois fomos proibidos de nadar na represinha.




Foi tão absurda a reclamação desta senhora que se ela viu documentário na televisão de índios nadando pelados no Rio Xingú na amazônia, deve ter reclamado da "senvergonhice" deles ao governo federal, da mesma forma que muitas "seitas" religiosas "infeccionaram" as culturas indígenas com os pecados dos "cara pálidas".



Mas Cumbica com sua natureza que sempre esteve ao nosso lado, nos ofereceu em contra partida um porto de areia mais distante das Vilas, porém com águas e "praias" irresistíveis e não nos fizemos de rogados agradecendo Cumbica pelos seus dotes e, numa forma de contestar, todos nadávamos pelados naquelas águas.

Antigo porto de areia usado para a construção da BASP
aterrado para construção do Aeroporto Internacional de Cumbica

Mas....sempre tem um "mas"... um belo dia, com sol muito forte, com a fama do porto de areia espalhado entre os meninos e meninas de Cumbica, estávamos como sempre nadando pelados, inclusive o Alexandre saindo da água correndo e dando suas famosas "bombas", quando de repente aparecem algumas meninas da Vila dos oficiais, inclusive a filha daquela senhora "moralista" e entraram na água em outra parte do porto de areia e por cerca de duas horas nenhum de nós saímos da água até elas irem embora e quando saímos, gargalhamos até perder os fôlegos, principalmente o Alexandre.


Alguns dos meninos de Cumbica - Da esquerda para a direita
Jaques, Alexandre Othechar (acima), Ivo Pozzoli, Silvio Porto,
Rubens Drummond - Beco (acima) e Mertens

Passado algum tempo, retiramos a placa de proibido nadar da "nossa" represinha e a reconquistamos, uma vez que a dita senhora havia mudado da BASP e levado sua fraqueza moral para outras paradas.

 Como premio devido as atividades dos meninos de Cumbica, tanto esportivas, culturais e sociais, em 1967 o Comando da BASP aprovou a construção em primeiro lugar na Vila dos Sargentos o Clube dos Suboficiais e Sargentos com salão de festas,...

So Drummond no Carnaval no recem inaugurado
Clube dos SO e Sgts - BASP

... quadra poli esportiva, churrasqueiras e piscinas em local alto e privilegiado, inaugurado em 1968..
Foto de estréia da piscina do Clube dos SO e Sgts - BASP
Alexandre Othechar, amiga, SO Alberto Othechar e Denise Othechar

 ... e três anos após, o Clube dos Oficiais, localizado onde antes era o Grupo Escolar João Ribeiro de Barros, na Vila dos Oficiais.

Quadra (foto real do local) - Clube So e Sgts BASP

Foto real - Clube So e Sgts - BASP
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domingo, 23 de outubro de 2011

A BANDA MAIS FAMOSA DE CUMBICA - THE HARDS

                                             


E o Luis Wade resolveu fazer um "bailinho" na garagem da casa dele e a turma toda resolveu cooperar, limpando a garagem, instalando "luz negra", comprando bebidas e as meninas providenciando os salgados.

Casa do Wade (esquerda) e a do Sílvio (centro) 

Nada melhor que o THE HARDS para abrilhantar a festa iniciando o baile e depois com as vitrolas, pois todos queriam dançar.


O Sílvio, solista e vocal do conjunto, tocou e cantou maravilhosamente a música preferida do Wade, "HEY JUDE", dos Beatles.

http://youtu.be/eDdI7GhZSQA


Clique para escutar a música
Paul McCartney

O Luis Wade dançou a música com a Marilda (gêmeas) e no final da música estavam namorando.

As meninas de Cumbica na festa eram a Yára (minha irmã), as gêmeas Marilda e Marilza, Sonia (irmã do Silvio), Lilian Arno, Júlia e Vera Leônidas, Cristina Othechar, Ana Maria (sobrinha do Sgto Nunes), Wendie Piccinini (irmã do Wade), Kátia (irmã da Dna Sum), Deolinda, Sônia ( irmã do João Alves), Telma Thomás,
Mercedes Casal e Maria da Graça Casal.

Os meninos de Cumbica eram, eu (Edson), Milton (meu irmão), Ricardo e Alexandre Othechar, Luis Wade Piccinini, João Alves, Reinaldo (sheik), Vanderley, Silvio, Ivo Pozzoli, Roberto e Rubens (beco) Drummond, Marcos, Gilberto (giba), Celso Ávila, Duval, José Carlos Leônidas (Zeca), Raul Bráulio, Aluísio (boca mole), Fernando e Átila.

In memorian: Luis Wade Piccinini, José Carlos Leônidas (Zeca), Ivo Pozzoli

E Pepino de Capri era um dos mais disputados long plays para dançar


                                      
                                                                   clique para escutar

E para alegrar o ambiente, Jorge Ben, "Chove chuva":

                                    
                                                                     clique para escutar

E no final, lá pelas 4 da madrugada, o baile explodia com os Roling Stones.

Luis Wade Piccinini, também artista plástico, com suas pinturas modernas, abstratas, de uma explosão de traços coloridos, mostrando que sua alma estava bem adiante de nosso tempo, tão adiante que o destino o levou para este tempo que um dia todos nos reencontraremos.

Do Luis Wade Piccinini, ficou uma homenagem da Prefeitura Municipal de Guarulhos dando o nome dele numa importante rua de Guarulhos, Rua Luis Wade Piccinini, um menino de Cumbica, com toda honra. 
Após a festa, ele saiu sozinho andando pelas ruas da Vila dos Sargentos, desaparecendo aos pouco com
a neblina de Cumbica...
... para sempre.