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domingo, 27 de maio de 2012

OS CORREAS

Um belo dia, estávamos sentados em frente a casa da Assum, eu, o Milton, o João Alves, o Wade, Lucélio, Cláudio, Ricardo, Alexandre, Sheik, Ivo Pozzoli, Marcão, quando vem chegando bem devagar, com aquele ar de "novato", cabelos repartidos no meio, um novo morador da Vila dos Sargentos e logo fomos perguntando:
--- Qual o seu nome?
--- Sílvio
Sônia, irmã do Sílvio, Dna Maria a mãe e o Sílvio

--- Você veio de onde?
--- Santa Catarina, meu pai é o SO Correa e estou morando lá em cima na Av 1.

Casa do SO Correa

O João disse:
--- Então você é "barriga verde"" ( Barriga Verde é o gentílico utilizado para designar os nascidos no estado brasileiro de Santa Catarina. De uso inicialmente pejorativo, seu correto significado é bastante controverso, pois falta documentação histórica para dar embasamento à origem dessa palavra que identifica.
É um consenso entre os documentos históricos disponíveis que ele designava um regimento militar, o regimento de Infantaria de Linha da Ilha de Santa Catarina, baseado em Florianópolis, que usava uma larga faixa verde, como um cinturão, sob o dolmã do fardamento.
Os soldados catarinenses que usavam essa faixa destacaram-se na guerra da Cisplatina, por sua valentia e pela destreza no domínio das armas. Formaram um lendário agrupamento e a expressão passou a identificar o gentílico nascido no Estado de Santa Catarina. -Wikipédia.)

O Sílvio levantou a camisa dele e mostrou que a barriga dele era "normal" e todos começamos a rir.
Como não poderia deixar de ser, veio a pergunta:
--- Pra que time você torce lá em Santa Catarina?
O Sílvio dando risada, disse:
--- METROPOL !
Caímos todos em gargalhada e o Sílvio, com todo seu jeitão catarinense e simpatia, de imediato se tornou mais um da turma, mais um menino de Cumbica.
Logo descobrimos a habilidade do Sílvio em tocar violão e sua paixão pelos Beatles. O Cláudio também mostrou suas habilidades no violão e os dois começaram a tocar juntos. O Reinaldo (Sheik) disse que também sabia tocar bateria. Estava nascendo o THE HARDS, nome sugerido pelo próprio Sílvio. A Sônia, sua irmã, acompanhava o Sílvio cantando as músicas dos Beatles.

Um dia, o Sílvio nos levou à sua casa e mostrou um belíssimo LP (vinil) dos Beatles que ele havia comprado, o Sgt Peppers e colocou em sua vitrola, bem alto:

clique para escutar

E a Sônia acompanhando com o Sílvio, foi uma loucura!!!

No dia seguinte o THE HARDS começou seus ensaios na varanda da casa do Cláudio...
Casa do Sgto Garcia, casa do Cláudio

E daí por diante, o THE HARDS se tornou o melhor conjunto (banda) de rock de todos os tempos da BASP, Cumbica e uma de suas principais músicas era do conjunto Renato e seus Blue Caps com a música:

clique para escutar

... até hoje !!!







sexta-feira, 25 de maio de 2012

POEMA DE LUCÉLIO GARCIA - MENINOS DE CUMBICA


Poema para os Meninos de Cumbica


O tempo voa, e a saudade aperta o coração...

Criança não tem noção da distância,
nem percebe o que a rodeia,
só quer brincar, correr e viver de alegria.

a vida passa e cada um segue o seu caminho,
almas que se afastam com elegância,
passos percorridos na areia.

O tempo voa, e a saudade aperta o coração...

Laços que se unem novamente,
pelo universo que a tudo simplifica,
vidas que brincavam antigamente,
escondem o tempo nos Meninos de Cumbica...
 — em São Paulo - Guarulhos - 2011

Lucélio Garcia, um menino de Cumbica.

terça-feira, 8 de maio de 2012

O SACRAMENTO DA PRIMEIRA EUCARISTIA

Em 1962, com 10 anos, na minha escola, Grupo Escolar Ribeiro de Barros, entrei na turma de Catecismo para a preparação da Primeira Comunhão.

Grupo Escolar Ribeiro de Barros

Na parte de cima da escola havia um "coreto" pequeno, com bancos rodeando o coreto por dentro onde sentávamos para escutar os ensinamentos do Padre Capelão da Base sobre a Bíblia, Evangelhos e a vida de Jesus Cristo.

Pelo menos duas vezes por semana tínhamos a aula de Catecismo que ia até ao mês de Outubro daquele ano e a Primeira Comunhão se realizaria na Capela da BASP, em Cumbica, no mês de Novembro.

Capela da BASP

Tudo preparado, os meninos com calça azul marinho e camisa com gravata borboleta, as meninas com saias brancas rendadas.


Padre Idelfonso 

Era uma festa muito esperada por todos e a alegria do Sacramento da primeira Eucaristia ficava estampado no rosto de todas as crianças e familiares.

Outra turma na Capela atual da BASP




Após a Primeira Eucaristia, sempre havia uma festa no Clube dos Sargentos para todos os familiares...


... e depois da festa, a criançada toda reunida, num corre-corre e algazarra, deixávamos fluir toda nossa alegria de viver em Cumbica, na BASP, ... 


... alegria estampada até hoje em nossos rostos.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

PESCA LIBERADA NA LAGOA DA BASE !!!

Num belo dia, veio a notícia que se espalhou pela Base de forma espantosa:
O Comandante liberou a pesca na lagoa da Base devido a super população de peixes.


Não deu outra... todos invadimos os diversos bambuzais da região e cada um escolheu uma bambu que considerava " o melhor ".


Uns com bambus curtos, de mais ou menos 2 metros e outros de aproximadamente 3 a 4 metros.

Não poderia deixar de ser, o Luiz Wade escolheu um bambu em torno de 6 metros, um monstro!!

Compramos a linha de nylon e os anzóis na loja de Caça e Pesca de Guarulhos e pegamos muitas minhocas, fáceis de encontrar na Vila dos Sargentos, enchendo várias latas.


Todos prontos, eu, o Cláudio, Lucélio, Milton, Ricardo, Alexandre, Sílvio, Ivo Pozzoli, Sheik, Vanderlei, Raul e todas as meninas, Yara, Cristina, Sônia, Marilda, Marilza, Graça, Mercedes, Stela, Regina, Lilian, seguimos a pé em direção a lagoa da Base e percebemos que muitas famílias dos militares residentes também aderiram à pesca e seguiam de carro com as varas de pescar ao lado dos carros.


Lá atrás todo sorridente, veio correndo o Wade, gritando para esperarmos e a figura era dramática com aquele bambu enorme e uma grande sacola e quando chegou, percebemos que o bambu ao invés de ter linha de nylon, tinha amarrado um barbante grotesco e caímos na gargalhada. Ele não dizia nada, somente sorria.

Wade no centro com chapéu branco

No caminho para a lagoa, cada vez que o Wade virava o corpo, aquele bambu enorme batia em quase todos e ele "rachava" de rir.

Chegando na lagoa, escolhemos um lugar mais calmo e nos preparamos, cada um com sua vara de pescar, colocando as minhocas nos anzóis, inclusive nas varas de pescar das meninas que não tinham coragem de pegar aquelas minhocas vivas.

E começamos a grande pesca, e realmente estava muito fácil de pescar devido a grande quantidade de peixes, lambaris e carás.

Passado algum tempo, o Wade resolveu montar seu "equipamento" e vimos que o anzol da vara dele era não mais que um grande arame entortado no formato de um anzol, amarrado naquele barbante horrível, cheio de nós e ele ficou mais ao lado, meio separado.

De repente, um grito do Wade e ele puxa a vara e veio preso no arame um pé de sapato, para gargalhada geral.

Passado outro tempo, outro grito, e veio amarrado uma cueca.

Mais um tempo, um pedaço de pneu rasgado e assim, sucessivamente, a pesca do Wade era surreal quando para surpresa de todos, num outro grito do Wade, veio preso "pela barriga" um enorme peixe e ele pulava de alegria e de tanto rir de nossas caras, que pegávamos somente peixes pequenos.

Paramos de pescar e fomos ver o enorme peixe que o Wade pescou e percebemos que o peixe não se mexia e alguém gritou: << Este peixe é de água salgada!! é um Robalo!!!>>

O Wade ficou roxo de tanto rir e quando pegamos o peixe com a mão, estava amarrado nele uma etiqueta de supermercado.

A pesca simplesmente terminou em algazarra e jogamos o Wade dentro da lagoa e lógico, aproveitamos para mergulhar também atrapalhando a pesca de todos que se encontravam por perto.

Quando estávamos retornando para a Vila, o Wade se libertando da sua vara de pescar, retirou por último daquela enorme sacola um "capacete" da Segunda Guerra Mundial com o formato do exército Alemão, colocou na cabeça e pulamos em cima dele com muitos tapas no capacete.

Wade pescando no céu disfarçado de Moisés

segunda-feira, 23 de abril de 2012

JOGO DE TACOS, QUE VIROU DE LATAS

Uma das brincadeiras que mais gostávamos era o "jogo de tacos", que consistia em colocar duas "casinhas" dentro de dois círculos, sendo que cada círculo ficava distante um do outro aproximadamente 30 metros. O equipamento do jogo era uma bolinha e dois tacos, dois pares de jogadores dois de cada lado, um par ficava com o taco e ou outro par com a bolinha.

O jogador com a bolinha tentava acertar a casinha dentro do círculo, sendo que se acertasse a casinha derrubando-a teria o direito de receber os tacos.

Os jogadores de posse dos tacos, quando a bolinha era arremessada em direção à casinha, este deveria acertar a bolinha jogando-a o mais longe possível, e quando isto era feito, corriam um em direção ao outro batendo o taco um no outro, contando os pontos cada vez que conseguiam correr de um círculo para o outro, tomando o cuidado de não ser acertado com a bolinha no corpo ou a casinha derrubada quando eles estivessem fora dos círculos.

Ocorre que nem sempre tínhamos a bolinha e para isto, substituíamos a bolinha por lata de óleo de cozinha vazia e dávamos o nome de "jogo de latas".

Cada vez que atirávamos a lata, o taco acertava e a lata amassada era arremessada longe, fazendo uma grande barulheira.

Quase todos os dias, eu, o Milton, o Lucélio e o Cláudio jogávamos "lata" no meio da rua na Vila dos Sargentos, em Cumbica e , lógico, criávamos muitos problemas, que ora a lata caía no jardim de alguma casa, ora em cima de algum carro ou em cima da cabeça de alguém que passava distraidamente.

Rua onde jogávamos "lata" em Cumbica

Um dia, a lata caiu em cima do telhado de uma das casas e subimos no telhado pelos tubos da varanda da casa e no ímpeto de pegar logo a lata para não tomar muitos pontos, quebramos algumas telhas deixando o morador da casa muito bravo e para resolver o problema, conseguímos algumas telhas em algum monte pela Vila e as substituímos.

Tubos das varandas em que subíamos ao telhado
que em nossa época era de telhas tipo francesas.

Devido a isto, cada dia o jogo era em um local da rua.

O difícil foi o dia em que a lata entrou pela janela da frente de uma casa e sem titubear, pulei a janela para dentro da casa para pegar a lata e na saída, a dona da casa saiu correndo atrás de mim com uma vassoura e destruiu nossas casinhas do jogo e apagou os círculos.

Reclamação feita e uma semana de castigo.

Sem problemas... que tal fazer "estilingue" para jogar mamonas nas roupas do varal dela que ficariam marcadas de bolotas verdes?!


Ideia não aprovada, pois poderia dar um castigo de trinta dias!!!




terça-feira, 17 de abril de 2012

LUZ NEGRA E ESTROBOSCÓPICA, O MUNDO FINALMENTE ACABOU!

Um dia, naquele ano de 1968, a turma reunida, como sempre, na esquina em frente a casa do Sgto Furuno, com papos alegres quando a Dona Assum lá de frente da casa dela gritou:
--- Então pessoal, semana que vem tem feriado e poderíamos fazer um bailão aqui em casa pra acabar com o mundo mesmo desta vez!!!


Não precisou falar duas vezes e já começamos a organizar o baile. O conjunto (banda) seria o nosso THE HARDS, O local, a sala da casa de Dona Assum, os "comes e bebes", cada um traria de casa os salgados, doces e bebidas e nisto, o Sheik veio com uma novidade, iria trazer e montar na sala uma lâmpada de "luz negra e estroboscópica.

Luz negra??? Estroboscópica?? que raio de luz é esta, era a primeira vez que eu ouvia falar disto??


Tudo estava saindo conforme o combinado e no meio da semana eu perguntei ao Ricardo o que era esta luz negra e ele disse que iria saber e me informar. Conforme prometido, o Ricardo veio no dia seguinte com um sorriso bem matreiro e com aquele sotaque mineiro, com os olhos arregalados, disse:
--- Uai sô, com esta danada da luz negra todo mundo se veste de branco e se as meninas colocarem calcinhas de outra cor em baixo do branco, a gente vê tudinho !!
--- Vixe !!, também temos que usar cuecas brancas pra não aparecerem!!
E disparamos a gargalhar.

--- E a lâmpada estroboscópica??
--- Uai...ela pisca muito rápido e a gente parece que fica tremendo!


Com estas novidades, todos os meninos e as meninas começaram a se preparar com roupas brancas e a curiosidade imperava sobre todos.

Chegada tão esperada noite, o pessoal foi chegando, e na verdade, mais parecia um terreiro de macumba com todo aquele pessoal de branco e o falatório cada vez aumentando mais, gritaria, algazarra, risadas e logo a bebida da moda já estava na mão de todos, a Cuba Libre, coca cola com rum, bastante gelo e uma rodela de limão.
Tudo pronto, o THE HARDS a postos, a luz apagou, acenderam a luz negra e a estroboscópica e começou:


Um verdadeiro show, todos maravilhados com o resultado e, claro, o MUNDO ACABOU!!!

clique e cante !



quinta-feira, 12 de abril de 2012

O GRANDE IMÃ

1970
... estava chegando o tempo de ir embora para sempre, do dia-a-dia de Cumbica, dos sons amigos, do cheiro da mata, da dama da noite, da represinha, do cassino, do cinema, das quadras de futsal. Com 17 anos fiz o alistamento militar em Cumbica, me apresentei, fiz todos exames médicos, doei sangue e fui dispensado por deficiência auditiva leve.

Lá da Vila dos Sargentos, eu via os prédios mais altos do centro da cidade de São Paulo e tentava imaginar o futuro, minha formação profissional, sair do mundo de até então e penetrar naquele burburinho da cidade.

Olhar para as casas, todas iguais já davam saudades e relembrar todos os dias passados, os amigos, os meus cachorros Dique e a Pretinha, faziam o coração disparar, mas o futuro como um grande ímã me impulsionava para seguir meu caminho e alguns de meus amigos já haviam sido atraídos pelo grande imã de seguir em frente para a vida.


O Milton e o Flávio Almada, já estavam fazendo faculdade de Engenharia Mecânica, o Beco já havia entrado na Escola Preparatória de Cadetes da Aeronáutica,

O Beco com a farda da EPCAR e família

... o Celso Ávila para Faculdade de Medicina de Santos, o Sílvio para Matemática e nós, mais novos, já estávamos no Colegial e pensando em cursinho para exames vestibulares que logo chegariam também.

Num fim de semana, eu e meu pai fomos até Guarulhos, logo na entrada pela Via Dutra, no bairro Jardim Santa Francisca, onde estavam construindo várias casas e na Rua Arthur Bernardes, no número 110, escolhemos a nossa futura casa que seria entregue em Novembro de 1970 e neste mês mudamos para nossa nova casa.

O dia da mudança, todos os móveis colocados no caminhão de mudanças, fechamos a porta de nossa casa número 222 pela última vez e tudo virou passado, um feliz passado, uma perfeita preparação para a vida.

casa número 222

Com o tempo, todos amigos também mudaram de Cumbica, o Ricardo, Alexandre, Cristina, Denise e Fábio, filhos do SO Alberto e Dona Eneida ...

Casa do SO Alberto

... o Cláudio, Lucélio e Clarice, filhos do Sgto Garcia e Dona Letícia, ...
casa do Sgto Garcia

...  o Luiz Wade e a Wendie, filhos do SO Piccinini, o Sílvio e a Sônia, filhos do SO Correa ...

à esquerda, casa do SO Piccinini e à direita do SO Correa

... e de tantos amigos que permaneceram em minha memória.

Nada escapa do grande imã da vida que nos empurra para frente, para o futuro, mas Cumbica, de forma tão gentil e acolhedora, permanece igual, com as mesma casas, matas e odores mesmo após 42 anos de nossa despedida:

a quadra do Clube dos sargentos
a piscina do mesmo Clube
a quadra de vôlei e festas juninas
a esquina onde " o mundo acabava"
o Cassino dos Sargentos
a quadra do Cassino dos Sargentos
a Capelinha
o Rancho e reembolsável
o hangar duplo
o Cassino dos Oficiais
a represinha
a lagoa
o prédio do Comando
o cinema
o prédio da Infantaria
o rancho dos Oficiais
as placas na frente das casas
o Portão da Guarda
a estação do trem
Meninos de Cumbica

... e os meninos e meninas de Cumbica, ainda hoje, tão alegres e abençoados pelo nosso principal Menino de Cumbica: